24 de abril de 2015

Fuja, Coelhinho, Fuja, de Barbara Mitchelhill

Avaliação: 5/5
Editora: Biruta/Cortesia
Gênero: Juvenil
ISBN: 9788578481391
Publicação: 2013
Páginas: 236
O título do livro - Fuja, Coelhinho, Fuja - foi o primeiro item que chamou a minha atenção. Depois de ver a capa, ler a sinopse, e ainda me impressionar com a quantidade de prêmios e indicações, não tive dúvidas de que queria muito conhecer a história abordada: pai e filhos fugindo para não serem separados.

Fiquei surpresa quando iniciei a leitura e percebi que é Lizzie Butterwort quem narra a trajetória de sua família. Ela começa contando o modo como vinha sendo tratada por Pançudo Watson na escola e também por outros colegas desde que o pai se declarou um pacifista.

É triste perceber a situação desse pai, que acabou de perder sua esposa após a queda de uma bomba na loja onde ela trabalhava, com duas crianças para criar, não vê sentido em lutar. E os reflexos dessa decisão fazem com que Lizzie seja tratada de modo discriminatório por seus colegas, inclusive a própria tia Dotty, que já não simpatiza com os sobrinhos.

A primeira fuga acontece logo após uma audiência, onde o pai de Lizzie recusa-se a lutar na guerra e também a trabalhar na fábrica de munição que abastece os fronts de batalha, tendo que apresentar-se no dia seguinte ao quartel da cidade onde moram em Rochdale, na Inglaterra. Chegam à cidade de Whiteway e são muito bem recebidos, mas não ficam lá por muito tempo, um deslize cometido por nossa personagem principal e seu novo amigo Bernardo fazem com que William, pai da menina, precise fugir novamente com seus filhos.


A partir de então a história começa a se complicar, trabalho forçado, doenças, maus tratos, inverno rigoroso e polícia...  Uma fuga atrás da outra. Decisões são tomadas a todo o tempo, o que muda radicalmente o destino de cada um dos três.


Mesmo em meio a tantas adversidades, Lizzie não perde a fé e sempre que consegue vislumbrar no céu uma estrela brilhando mais que as outras, tem a certeza que é sua mãe e isso a deixa tranquila.



Não é à toa que a escritora foi premiada, criou um enredo fictício com características reais, o cenário mostrado aconteceu no período da Segunda Guerra Mundial, na Inglaterra, isso fez toda a diferença e também no modo como encarei a leitura.

Ótimo para auxiliar discussões acerca desse assunto histórico, conta um lado diferente da guerra, de modo claro e simples para os leitores a partir de 11 anos. Inclusive, conta com algumas notas de rodapé que esclarecem alguns trechos como, por exemplo, as regras de racionamento da guerra.

Nós vivemos em um mundo cercado de um forte marketing literário, que na sua maioria investe em livros que não fazem grande diferença em nossas vidas, então, ao me deparar com a obra de Barbara Mitchelhill, não poderia deixar de indicar.
“Dei uma olhada nas estrelas, no céu de veludo negro. – Estamos perto, mamãe – sussurrei para a estrela mais brilhante. – Vai dar tudo certo, não vai? ”
"Ela (tia Dotty) me bateu de novo, com tanta força que minha perna doeu como se tivesse sido picada por uma dúvida de vespas. Eu cerrei os dentes, resolvida a não chorar. De jeito nenhum! Mas ela não parou. Bateu de novo em mim como se não fosse ficar satisfeita até ver lágrimas em meus olhos."

Abaixo a música completa citada no livro na página 26 e 27:

RUN RABBIT RUN
(Noel Gay / Ralph Butler)

Por Nara Dias

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...




LAYOUT DESENVOLVIDO POR VIAGENS DE PAPEL – NÃO COPIE, CRIE! – COPYRIGHT © 2015