16 de outubro de 2015

Resenha: Abandonada no Campo de Centeio, de Joyce Maynard

Avaliação: 3/5
Editora: Geração Editorial
Gênero: Biografia
ISBN: 8586028703
Publicação: 1999
Páginas: 349
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Não é raro encontrar alguma pessoa falando que o livro "Apanhador no Campo de Centeio" mudou sua vida. Escrito por Jerome David Salinger, a obra foi publicada em 1951 e tornou-se um sucesso entre os jovens, sendo considerado um dos mais importantes da literatura da língua inglesa moderna. Entretanto, o autor não era exatamente uma pessoa tranquila ou fácil de lidar. E é sobre isso que sua ex-mulher, Joyce Maynard, escreve neste livro de memórias chamado Abandonada no Campo de Centeio.

Os primeiros capítulos relatam a infância complicada de Joyce durante os anos 50 e 60. Seu pai era alcoólatras e com sinais fortes de depressão, enquanto a mãe era uma mulher que procurava usar a negação como solução para os problemas internos de sua família. Entretanto, ambos sendo professores, ajudaram a desenvolver o lado literário da menina. Traziam sempre discussões filosóficas para dentro de casa e incentivavam que Joyce escreve-se textos. Na adolescência ela chegou a escrever artigos para algumas revistas femininas voltadas para a sua faixa-etária.

Algum tempo depois, quando estudava na tradicional Universidade de Yale, Joyce escreveu um artigo para o The New York Times falando sobre o que era a vida de uma jovem americana de 18 anos no final dos anos 60 e começo dos anos 70.

Através daquele artigo, Salinger começou a trocar cartas com a jovem escritora, na época com 53 anos e ela com 18. As trocas de cartas eram frequentes e em determinado momento os dois finalmente se encontraram na fazenda do autor, em New Hampshire.

O amor entre os dois estava longe de ser saudável. Salinger era abusivo e alienador dentro da relação. Incentiva a garota em seus distúrbios alimentares, tenta convencer ela de desistir de escrever seu livro e fez com que ele fosse o centro principal de sua vida. Como se não fosse suficiente o sofrimento imposto durante o relacionamento, seu fim tampouco foi menos traumático. Sem dar muitas explicações ele a abandonou como se fosse apenas um brinquedo.

Porém, mesmo este sendo o tema mais chamativo dentro da auto-biografia, a relação deles foi bastante rápida e não ocupa todo o livro. Na maior parte do tempo Joyce se concentra basicamente na sua própria história. A autora, obviamente, foi acusada de usar o seu relacionamento com uma figura pública como um meio de autopromoção. Mas, apesar do grande chamariz do nome de Salinger, é possível dizer que a narrativa se sustentaria sem sua presença.

A escrita de Joyce é bastante coloquial e fluida. Sua história de vida é, sem dúvida, muito interessante e não é difícil se solidarizar com as situações complicadas em sua trajetória. Entretanto, o livro não conseguiu me empolgar, chegando muitas vezes a ficar monótono e cansativo. Não que seja ruim, longe disso, mas não vai entrar na sua lista de favoritos tão cedo. Contudo, penso que os fãs do escritor Salinger devem estar curiosos para saber um pouco mais sobre sua vida, já que ele sempre foi muito recluso.

Por Maria Luiza de Paula.

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