13 de janeiro de 2016

Resenha: Demian, de Hermann Hesse

Avaliação: 4/5
Editora: Record /Cortesia
ISBN: 9788501020291
Gênero:  Romance
Publicação: 2015
Páginas: 196
Skoob
Apesar de curto, Demian não é um livro fácil de ser lido. Não é fácil pela estrutura narrativa, com longos parágrafos e poucos diálogos – o que pode cansar facilmente; mas principalmente pelo seu conteúdo, que ao apresentar a jornada do protagonista, busca quebrar paradigmas e desconstruir o que o leitor acredita até então. Por mais denso que seja, é um livro que cumpre muito bem a função de fazer o leitor refletir, se questionar acerca de diferentes temas e buscar novos pontos de vista.

O livro conta a história do jovem Sinclair, acompanhando sua infância até a fase adulta. Sinclair era um menino que sempre teve boas condições de vida, estudou nas melhores escolas, nunca lhe faltou nada. Ainda em sua infância, ele narrou sua descoberta de mundos completamente diferentes: o certo e o errado. O certo ele descobriu entre a família e representava os bons costumes; já o errado, descobriu em tudo o que acontecia ao redor, no exterior, as coisas que aconteciam fora de sua casa. 

Ainda pequeno, ele passou a sofrer chantagens de um garoto mais pobre, de escola pública. Por muito tempo, ele foi o seu terror, até que Sinclair conheceu Max Demian, um jovem um pouco mais velho que passou a fazer parte de sua vida a partir do momento em que ajudou Sinclair a se livrar das ameaças. Demian era um garoto misterioso, que atraía todas as atenções ao mesmo tempo em que era mais introvertido. Quando se conhecem, os dois rapazes logo percebem que são parecidos: intrigados, gostam de filosofar e buscar novos significados para a vida.

Demian apresenta a Sinclair um novo mundo. Juntos, eles travam diálogos e discussões a respeito de diversos assuntos, sempre buscando sair da zona de conforto, aumentar o conhecimento e desafiar os ensinamentos transmitidos pela sociedade. Demian ensina muitas coisas a Sinclair, que tem sua vida transformada e, mesmo depois de um tempo, já sem contato com o amigo, não consegue esquecer todos os ensinamentos.

À medida em que vai ficando mais velho, Sinclair passa por uma fase rebelde, até chegar à aceitação. Ele percebe que é diferente, que não consegue aceitar o que é imposto pela sociedade. Em sua jornada, encontra outros amigos como Demian, que o ajudam a compreender melhor o que está passando.

A obra de Herman Hesse, publicada em 1919, fala sobre o processo de amadurecimento de um jovem em busca de respostas sobre sua existência, sobre as contradições da natureza humana. Ao narrar a jornada de Sinclair, o autor faz um convite ao leitor para que também reflita sobre o que foi ensinado durante a vida inteira, sobre certo e errado, preconceitos e dualidades.

Os personagens são construídos de maneira única e quase no fim surge Eva, a mãe de Demian, elemento que faltava para completar a jornada de Sinclair, e tão misteriosa quanto o filho. Os três possuem a “marca”, o que é preciso para desafiar o que nos é imposto, buscar novas concepções. Demian e Eva auxiliam o jovem Sinclair em seu processo de evolução, tanto de corpo quanto de alma. 

Além do tom mais místico da obra, há também muita filosofia e religião. Os ensinamentos que o livro traz são muitos, mas esse é o tipo de obra que deve ser relida diversas vezes e que, ainda assim, não será possível absorver tudo o que ela tem para mostrar. Apesar de não ser uma leitura tão fácil, vale muito a pena.

Por Camila Tebet

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