25 de janeiro de 2016

Resenha: Morrer em Praga, de J. B. Gelpi e Jeanette Rozsas

Avaliação: 4/5
Editora: Geração Editorial/Cortesia
ISBN: 9788561501013
Gênero: Romance
Páginas: 213
Publicação: 2008
Skoob
O livro Morrer em Praga conta a história do brasileiro João Batista Gelpi, que um dia foi filho de milionário no Brasil. Gelpi é herdeiro de uma milionária família que enriqueceu, segundo ele mesmo conta, superfaturando obras e subornando autoridades, a construção de Brasília e da Rodovia Presidente Dutra são exemplos. E quando seu pai veio a falecer, decide roubar quadros da sua antiga casa e vai morar na Europa, levando uma vida sem regras e cheia de excessos.

Ao chegar na Europa, decide publicar um anúncio no jornal londrino dizendo: “Venha unir-se ao caos da minha vida”. Nesta época, João já estava com 50 anos e uma das respostas que ele obteve foi da jovem Lenka, de apenas 17 anos.  E é com ela que ele passa a ter uma relação intensa e doentia.

Apesar de ter muitas amantes, era Lenka que chamava atenção de Gelpi. Quando a jovem quis engravidar, o parceiro não pôde pois era estéril. Aos poucos é revelado que ele tinha ao seu lado uma jovem profundamente deprimida que necessitava de tratamento médico, mas se deixou enredar pelo sentimento de solidão e abandono e em alguns meses estavam vivendo como se um não existisse sem o outro. Devido a isso Lenka fica muito deprimida e propõe um duplo suicídio. João aceita, mas somente Lenka morre. No seu julgamento, Gelpi foi acusado pela mãe, uma psicóloga e duas psiquiatras. Testemunharam a seu favor o pai de Lenka e alguns vizinhos, que afirmaram que a moça era bem tratada por ele e que o casal parecia se amar. 

Gelpi é acusado e condenado a 13 anos de prisão, mas após seis meses acaba saindo da prisão devido a saúde debilitada e também por conta do bom comportamento. Assim que ganhou a liberdade, voltou para o Brasil.

O livro é narrado em primeira pessoa por Gelpi e é autobiográfico. Conforme ia lendo o livro achei Gelpi machista, porém depois comecei a ver que isso era fruto do fascínio que ele tinha pela jovem Lenka. O livro me trouxe uma mistura nas emoções (terror, apreensão, alerta e amor) enquanto passava as páginas, ele conseguiu mostrar a sua autodestruição.

Foto: Stephany Guebur
A leitura nos coloca em contato com uma história de vida revelada de uma maneira muito crua e arrepiante. O autor coloca ali suas fraquezas e contradições, sem piedade ou orgulho das mesmas, enquanto narra as suas aventuras. Podemos dizer que Gelpi viveu em um ritmo eletrizante.
"Eu já sentia, então, um imenso tédio, e a ideia da solidão, acompanhada da necessidade de ter todas as mulheres, me angustiava. Cada vez mais essa necessidade se impunha como uma compulsão"

Por Stephany Guebur

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