29 de janeiro de 2016

Resenha: Nós, de David Nicholls

Avaliação: 5/5
Editora: Intrínseca
ISBN: 9788580577037
Gênero: Romance
Publicação: 2015
Páginas: 384
Inicio de ano é sempre momento de propor metas e objetivos para os próximos 365 dias que temos pela frente. Nos últimos anos, acabo sempre pensando com carinho a escolha do livro que irá abrir os trabalhos literários, acreditando que isso possa ser considerado um marco e um ponto de partida para o que vier pela frente. Esse ano acabei que por escolher o último livro do meu queridinho e amado David Nicholls, o qual já li Um dia e O substituto.

O autor não desmerece elogios. Um dia foi e continua sendo um dos melhores livros que li em toda minha vida literária. Por este motivo, as expectativas para Nós eram altas, uma vez que pela sinopse prometia-se uma história arrebatadora e emocionante, cheia de recomeços. E acredito que acertei em cheio na hora da escolha! Conheci Douglas Petersen, um bioquímico de 54 anos que descobre que sua mulher Connie quer o divórcio. Doug fica arrasado, pois não sabe o que vai ser de sua vida sem a esposa. Ao mesmo tempo, o bioquímico mantém uma relação distante com o filho, Albie. Como estavam nos planos da família uma viagem pela Europa, uma vez que Albie iria para a faculdade de fotografia no próximo verão, Doug vê ali uma oportunidade para quem sabe unir sua família novamente. 

Se fosse para dizer o porque de gostar tanto dos livros de Nicholls, acredito que uma palavra poderia resumir meu sentimento: sinceridade. A narrativa do autor é direta e mostra o verdadeiro cotidiano das pessoas. Um dia me mostrou isso. De maneira singela, o autor mostra o quanto um dia pode mudar a vida das pessoas. Mostra as dificuldades e os defeitos de cada um, e como podemos viver e superá-los. Nós não foge disso. 

Doug é um personagem tão carismático que diversas vezes me peguei pensando sobre suas atitudes. Por mais que aos olhos de seu filho pudesse ser um velho careta, a gente conseguia entender Doug como um homem capaz de fazer qualquer coisa por sua família, claro que a sua maneira. A escrita é em primeira pessoa e vai e volta no tempo, desde o momento em que ele e sua esposa haviam se conhecido até o tempo presente. São capítulos curtos, quase que como um diário onde ele mostra o seu verdadeiro eu, carregado de uma melancolia que me tocou durante a leitura, onde refleti sobre mim mesmo e a relação com as pessoas ao meu redor.

Eu confesso que imaginava os rumos da história de certa maneira, porém foram para caminhos totalmente opostos. Fiquei surpreso e gostei da proposta do autor. A ideia do tour pela Europa prometia ser uma experiência incrível (afinal, quem não gostaria de fazer isso?) e se mostrou melhor do que eu esperava. O livro é dividido em partes e cada uma se propõe a mostrar a visita naquele local: França, Holanda, Espanha etc. E em cada uma aprendemos juntos com os personagens tanto sobre a vida, família e relacionamentos. O que pode ser bom para um talvez não seja para o outro e vice-versa.

Nós cresce num ritmo tranquilo e chega a um final que para muitos pode ser decepcionante, mas para outros, como disse no início da resenha, pode mostrar a vida como ela é: repleta de valores, ensinamentos, dúvidas, angústias, alegrias e derrotas. Mas sempre tendo em mente a persistência e perseverança. Por isso, acredito que foi uma boa leitura para iniciar o ano. Mostrou que os próximos 365 dias e tantos outros vão ser exatamente assim. Porém, não podemos desistir no primeiro obstáculo. Doug me mostrou isso. E acredito que isso serve para uma vida toda.

Por Lucas Kammer Orsi

Um comentário:

  1. Oi Lucas, gostei de sua resenha. Eu já li UM DIA e confesso que minha nota para ele foi apenas 3/5 estrelas, mas o livro fez refletir sobre as oportunidades da vida que nos passam muitas vezes despercebidamente. Gostei, se tiver oportunidade lerei esse mais pra frente. Obrigada

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